"Copa do mundo" da gastronomia atrai 26 mil brasileiros

25/08/2015 | Fonte: REVISTA GOSTO

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O prestigiado Bocuse D’Or terá sua etapa brasileira em outubro; foram 26 mil inscritos, com Alex Atala no júri

Os candidatos se posicionam em grupos, devidamente caracterizados pelas bandeiras bordadas de seus países em uniformes brancos. Estão todos apreensivos, inclusive a torcida presente, que os incentiva com gritos e coreografias durante a competição.

Não, não estamos falando de futebol, nem de qualquer outro esporte. Trata-se do renomado concurso Bocuse d’Or, evento que reúne, a cada dois anos, 24 dos mais promissores jovens chefs de todo o mundo.

As etapas vencidas levam à final, realizada sempre em Lyon, na França. Em seus arredores, aliás, está o  L’Auberge du Pont de Collonges, restaurante do lendário chef Paul Bocuse, um dos precursores da chamada nouvelle cuisine, movimento de vanguarda da cozinha francesa da década de 70.

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O trio francês: Claude Troisgros David Joubert e Emmanuel Bassoleil

Bocuse, aliás, teve seu pioneirismo devidamente reconhecido. São de seu estabelecimento as 3 estrelas conferidas pelo Guia Michelin Rouge, condição que ostenta por incríveis 50 anos.

Seu filho e discípulo, Jerôme Bocuse, é hoje presidente de honra do concurso que leva seu nome, enquanto Laurent Suaudeau preside oficialmente o Bocuse d’Or Brasil.

E não há dúvida de que se trata de uma competição de números colossais: as seletivas ocorrem em 63 países, por dezoito meses, pelos cinco continentes do mundo.

Do Brasil, passaram pelo crivo do júri presidido pelo chef Alex Atala, e mais oito nomes, também oito candidatos.

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Os vencedores na França

São eles: Alex Sotero, Luiz Filipe de Azevedo e Gabriel Daniel, de São Paulo; Bruno Rappel e Gustavo Maragna, de Brasília; Camilo Portugal e Halles Willians, do Rio de Janeiro; e, finalmente, Giovanna Grossi, de Maceió.

Na coletiva de apresentação do evento, na última segunda, dia 24, Suaudeau não escondeu seu espanto ao se deparar com 26 mil inscritos na etapa brasileira, e ressalta a importância do concurso para a formação de novos chefs brasileiros: “Nosso objetivo é passar conhecimento, metodologia de trabalho, importantes para o futuro da profissão”.

Pois bem. Vencida a etapa brasileira, que ocorre entre os dias 15 e 16 de outubro, durante o Sirha Rio, evento de referência do setor de gastronomia e hotelaria do mundo – que tem o chef Claude Troisgros na linha de frente -, o candidato brasileiro ainda passará pela etapa latino-americana, no México, em 2016.

De lá, sairão três nomes para a tão aguardada (e temida) final, no Sirha Lyon, em 2017.

Torçamos, dessa vez, para que, na copa do mundo da gastronomia, nosso representante consiga, com as mãos, melhor sorte que alcançamos em um certo jogo, com os pés.

Por Luciana Amaral, do Rio de Janeiro