De portas abertas para o mundo

30/08/2015 | Fonte: Estado de Minas - Feminino e Masculino

Cliqu

O que esperar da cozinha no Brasil? Chefs e outros profissionais da área discutirão o futuro da gastronomia, entre 14 e 16 de outubro, durante a feira internacional Sirha Rio, que desembarca pela primeira vez na América Latina. Em três dias, o público terá a oportunidade inédita de discutir tendências, trocar informações, conhecer novos equipamentos e descobrir diferentes produtos, com destaque para os ingredientes locais. O evento também marca a primeira etapa brasileira do prestigiado concurso Bocuse D’Or. A expectativa é reunir 100 expositores e receber 10 mil visitantes.

Tradicionalmente, a feira é realizada a cada dois anos em Lyon. Em recente iniciativa, começou a rodar cidades em outros continentes, incluindo o Rio de Janeiro. “Isso me emociona. Acompanhei de perto o movimento de grandes nomes da cozinha francesa e, 30 anos depois, vejo o mesmo movimento no país onde escolhi viver”, revela Claude Troisgros, convidado para ser o presidente do Sirha Rio. Já na terceira geração de uma família de cozinheiros, o filho de Pierre Troisgros, um dos criadores da nouvelle cuisine na França, orgulha-se em contar que viu o evento nascer.

Em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, Claude diz que o Sirha Rio chega em um momento interessante, que ele chama de nouvelle cuisine brasileira. “É uma oportunidade incrível de mostrar ao mundo o que temos de bom.” Impulsionados por Alex Atala, jovens cozinheiros foram em busca de técnicas para criar pratos que valorizam ingredientes locais, o que demonstra a maturidade da gastronomia no país. Agora, na visão de Claude, falta aproximar o pequeno produtor dos restaurantes.

Oito chefs, em especial, aguardam ansiosos a chegada do Sirha Rio. São os finalistas da primeira seleção brasileira da disputada competição de gastronomia Bocuse D’Or, criada em 1987. O vencedor representará o Brasil no Sirha México, programado para o ano que vem, podendo se classificar para a final mundial em Lyon, em 2017. “O que acho mais legal é atingir uma minoria que não costuma aparecer nas revistas”, comenta o chef francês Laurent Suaudeau. Entre os concorrentes, dois são de Brasília, dois do Rio, dois de São Paulo, um de Maceió e um de Barueri.

PLATEIA DE PESO Presidente do Bocuse D’Or Brasil, Suaudeau desafiou os candidatos a cozinhar miolo de alcatra e pescadinha com dois acompanhamentos obrigatórios, bem conhecidos dos mineiros: ora-pro-nóbis e chuchu. “Ora-pro-nóbis é o que mais me lembra o espinafre na França e chuchu é sempre desprezado”, justifica o chef, que na década de 1980 causou rebuliço ao colocar no cardápio do seu restaurante um prato de camarão com chuchu. Diante de uma arquibancada, os finalistas terão cinco horas e 35 minutos para preparar os pratos, que serão avaliados por um juri presidido por Alex Atala. Os jurados avaliarão sabor, cozimento, originalidade, respeito pelos produtos e apresentação.

Para participar da competição, a jovem alagoana Giovanna Grossi, de 23 anos, única mulher entre os finalistas, usou o conhecimento adquirido em temporada na Europa. A experiência mais marcante, que durou quatro meses, foi no estúdio de criatividade do chef espanhol Quique Dacosta. “Sempre executamos o que já está feito, então foi muito válida a oportunidade de ver como o chef criava os pratos para a temporada seguinte”, destaca. Isso ajudou Giovanna a desenvolver duas receitas, guardadas em segredo até a disputa, que combinam várias técnicas culinárias diferentes.

E mais

Estudos que apontam tendências gastronômicas que devem surgir até 2019 serão apresentados por Frédéric Loeb, membro do comitê de inovação do Institut Paul Bocuse e consultor de chefs renomados como Joël Robuchon, Pierre Hermé e Alain Ducasse.

Haverá um espaço do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) dedicado a preciosidades garimpadas com pequenos produtores de 14 estados. Os representantes de Minas Gerais serão café e queijo da Serra da Canastra.

l O Sirha Rio também sediará a etapa brasileira da Coupe du Monde de la Pâtisserie, presidida pelo chef confeiteiro Philippe Brye. Quatro candidatos terão seis horas para criar receitas que exigem técnica e precisão. Dois participarão da categoria açúcar e outros dois, de chocolate.

Chefs de todas as regiões do país representarão a gastronomia brasileira no requintado Le Dinêr des Grands Chefs, que será realizado no Copacabana Palace. O cardápio ainda não está definido, mas já se sabe que o prato principal terá peixe do Nordeste e a sobremesa será servida por paulistas.