Marcia Peltier

09/10/2015 | Fonte: Jornal do Commercio

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Ventos ruins

Neste momento de crise, um mercado que vai de mal a pior é o de aluguel de aeronaves para executivos. Com o avanço dos impostos, dólar disparado e aumentos do custo dos serviços e dos insumos - como o combustível - as empresas de táxi aéreo já contabilizam perdas acima de 30%. E não há nada no horizonte que possa dar ânimo a esta turma. Encomendas de novas aeronaves, nem pensar. A onda de pessimismo domina o setor.

De dedo na boca

Corre o risco de muita criança ficar de dedo na boca esperando presente no dia em que as homenageia. O comércio está vendo o consumidor zangado e sem dinheiro para compras. Em setembro, a atividade do comércio ficou estagnada no país. E uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, está apontando uma tendência de queda acima de 43% em relação ao ano passado. É muita coisa. Duro vai ser ouvir o chororô em casa...

Capital orgânico

Com a alimentação orgânica virando palavra de ordem, a economia do setor está ganhando cada vez mais corpo. No ano passado, a agricultura orgânica movimentou R$ 2 bilhões e até o ano que vem deve ter um crescimento de 25%, para R$ 2,5 bilhões, segundo cálculo do Ministério da Agricultura. No cenário de crise, em que qualquer resultado positivo já rende comemoração, é uma área para não se perder de vista.

Atrás do brilho

O curta "Pele de pássaro", que estreia nesta sexta para convidados no `Festival do Rio`, vai abordar a vida de uma passista de carnaval com um olhar que vai além do brilho das noites de desfile. A história gira em torno de Tuane Rocha, que alcançou uma vida melhor para a família por meio do samba. “Esse filme me permitiu conhecer a mulher que existe por trás da passista", comentou a cineasta Clara Peltier. As sessões abertas ao público serão no sábado (Cine Odeon) e no domingo (Kinoplex São Luiz).

A queridinha do Nelson

Ainda falando sobre o Festival do Rio, outra pré-estreia neste final de semana será a do longa "Ninguém ama ninguém...por mais de dois anos", baseado em contos de Nelson Rodrigues. O filme traz a atriz Gabriela Duarte novamente dando vida a um personagem criado pelo saudoso dramaturgo - ela interpretou "Alicinha" no seriado "A vida como ela é". A produção também marca a estreia de Clovis Mello dirigindo um longa e usa textos de Nelson que ainda não foram adaptados para as telonas.

ENTREVISTA - CLAUDE TROISGROS

Para continuar evoluindo, a gastronomia brasileira precisa investir em logística, na opinião de Claude Troisgros. Na conversa com a coluna, o chef também disse que o Rio ganhou muito ao apostar em cursos de gastronomia. Aliás, ele acha que a cidade poderá crescer ainda mais nesse setor após a primeira edição do Sirha-Rio, que começa dia 14. Claude será o presidente do evento. O chef ainda falou sobre o sucesso dos `realities shows` de culinária e do fenômeno dos food trucks.

Como enxerga o momento atual do mercado de gastronomia no Rio? E no Brasil?

A gastronomia no Brasil se desenvolveu muito nos últimos anos, explorando novos sabores e aumentando a formação de mão de obra. Para evoluir ainda mais, é preciso investir agora em logística. O Rio especificamente ganhou muito com a instalação de universidades que enxergaram o potencial da cidade para a gastronomia e para o turismo.

Ao que você atribui o sucesso dos realities shows de gastronomia no Brasil?

O paladar do brasileiro evoluiu muito nos últimos tempos e, com a globalização, ele está atento ao que acontece no mundo. Na gastronomia isso não é diferente. Os programas aproximam as pessoas da profissão de cozinheiro e isso é muito positivo para mostrar a nossa arte.

O que achou da avaliação da versão brasileira do Guia Michelin (que não concedeu nota máxima a nenhum restaurante do País)?

Acho que essa primeira edição foi um desafio para eles. Aqui no Brasil, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, cidades que participaram do guia, existem restaurantes que mereciam uma pontuação melhor. Também tiveram outros que ficaram de fora e que mereciam entrar.

Em sua opinião, o que representa para o Rio receber pela primeira vez uma edição do Sirha?

É uma chance de se destacar a nível internacional no mundo da gastronomia e valorizar o trabalho que vem sendo feito no País, mostrando os ingredientes, a cultura, entre outras coisas.

Quais têm sido os impactos da crise econômica no segmento gastronômico?

A crise está atingindo todos os setores e os restaurantes estão sofrendo com isso dos dois lados. Os produtos subiram muito e esta difícil segurar os reajustes de preço no cardápio. Acho que é uma situação comum a todos.

E como você avalia o fenômeno dos food trucks?

Os food trucks ampliam ainda mais o acesso à boa gastronomia. É um bom negócio para quem começa nesse setor.

Com Daniel Fraiha, Davi de Souza e Ralph Ribeiro