Sirha 2015 será sediada no Rio!

05/09/2014 | Fonte: Juliana Carvalho

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E ai gente? Já viram essa noticia? Estava passando pelo Globo online e resolvi compartilhar com vocês!

Rio vai sediar Copa do Mundo da gastronomia e da hotelaria em 2015

Sirha terá chefs internacionais e seletivas de concursos prestigiados como o Bocuse D’Or; expectativa é atrair 10 mil visitantes na feira, que será anual

RIO – O Rio vai sediar mais uma Copa do Mundo. Mas, desta vez, os craques são mais ligados à cozinha. E à hotelaria. Depois de sediar o Mundial de Futebol e prestes a receber as Olimpíadas, a cidade terá sua primeira edição do Salon International de la Restauration de l´hôtellerie et de l´alimentacion, mais conhecido como Sirha, a maior e mais sofisticada feira de comida e artes culinárias do mundo, nascida em Lyon, na França, em 1983. E nem precisará esperar quatro anos para um quero mais: o evento — que acontecerá entre 14 e 16 de outubro de 2015, no Centro de Convenções Sulamérica — será anual. O primeiro Sirha Rio terá cerca de 115 expositores brasileiros e internacionais, e a previsão é de que 10 mil visitantes passem por lá para conferir tendências. Um bom pontapé inicial para um mercado nacional que conta com 2 milhões de estabelecimentos de alimentação, sendo mais de 64 mil restaurantes, e com expectativa de crescimento de 4,8% até 2016. Já o setor hoteleiro registra 19 mil hotéis em todo o país, com 480 mil quartos, tendo sido registrado aumento de 6% em 2013 com relação a 2012.

No Sirha Rio também acontecerão etapas seletivas do Bocuse D´Or (mais prestigiado concurso gastronômico do mundo, criado pelo chef Paul Bocuse em 1987) e da Coupe du Monde de La Patisserie (que há mais de 24 anos escolhe os melhores da confeitaria, e no Rio terá Flávia Quaresma como presidente do juri), além das conferências do Sirha do World Cuisine Summit (congresso de tendências e inovações gastronômicas, criado para compartilhar experiências com formadores de opinião) e do Omnivore (que revela jovens talentos, e será presidido pelo chef Pedro de Artagão, do irajá). Para o lançamento do evento, na casa do cônsul-geral da França no Rio, Brice Roquefeuil, a presidente internacional do Sirha, Marie Odile Fondeur, está no Rio nesta terça-feira.

Ter uma edição da Sirha é um avanço enorme para nós, no Brasil. Os produtos aqui melhoraram muito, mas em termos de equipamentos ainda precisamos crescer mais — avalia o chef Claude Troisgros, uma espécie de capitão da seleção brasileira do Sirha, escolhido para presidir a edição nacional do evento, que já viveu seus dias de torcedor em Lyon, com direito a bandeirinhas verde e amarelas para incentivar jovens talentos do país concorrendo por lá em anos anteriores. — Quando me chamaram para presidente, minha primeira reação foi dizer: não é muito grande para mim não?. Mas sou um chef de origem francesa que entende do mercado. Acompanho a feira desde o início, e sou muito ligado ao Paul Bocuse, que foi amigo de meu pai e com quem já trabalhei pela primeira vez num restaurante. É um cargo representativo. Serei mais um conselheiro e um contato entre os chefs.

Segundo Marie Odile, para a primeira edição do Sirha Rio, a ideia é trazer premiados do Bocuse d´Or, como Rasmus Kofoed, três vezes campeão (bronze, prata e ouro), que representa a Dinamarca; além de Régis Marcon (França) e Serge Vieira (Austrália), que são premiados e muito ativos na organização do concurso. Outras personalidades — como o Jerôme Bocuse, presidente do Sirha Lyon, filho de Paul Bocuse, e Daniel Boulud, estrela mundial da gastronomia — também são aguardadas.

O Rio tem sensibilidade gastronômica. Desenvolve seu turismo, e a gastronomia é uma vantagem indispensável para isso, pois os visitantes viajam cada vez mais, e são cada vez mais exigentes na qualidade e na diversidade do que comem, além de preocupados com a saúde. Neste sentido, trazemos não somente uma oferta de produtos, equipamentos e serviços, mas também soluções práticas para aplicar diretamente nos estabelecimentos. Sem falar da oportunidade de se relacionar, trocar experiências com profissionais e chefs de cozinha renomados… A feira dá novas perspectivas para o setor de alimentação — diz Marie Odile, lembrando que o Brasil é por si só um continente, com mais de 200 milhões de habitantes, com um potencial econômico importante e com eventos como a Copa do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos de 2016, que fazem explodir a necessidade de alimentação. — Há que se considerar uma classe média (são 46 milhões de pessoas) que cada vez mais consome nos restaurantes: 25% a 30% dos gastos com alimentação são fora de casa, ou seja, nos restaurantes.

O país está pronto para receber o Sirha, e o Rio foi escolhido para sediá-lo por sua relevância do mercado, pelos chefs que vieram para cá e por ser o destino favorito para um evento desta área — acrescenta Vânia Tavares, diretora geral da Fagga/GL Events Exhibitions, responsável pela realização do evento aqui. —Teremos uma área dedicada a produtos brasileiros, que se chamará terroir e terá vinte estandes. Estarão lá produtores como os de queijos da Serra da Canastra e cachaçarias nacionais. Também teremos de 15 a 20 marcas internacionais de segmentos importantes, como vinhos, pães e chocolates, que têm representações aqui ou querem ter. A GL vem estudando este mercado há um ano e meio. Precisávamos saber qual a melhor forma de trazer a maior feira de gastronomia e hotelaria para cá. E ela vem para ficar. Estaremos em janeiro no Sirha Lyon, e vamos mapear o que traremos para cá.

O Sirha internacional acontece a cada dois anos em Lyon, e já teve edições em cidades como Genebra (Suíça), Istambul (Turquia) e Moscou (Rússia). Só em Lyon, são 2.980 expositores e marcas e, na última edição, estiveram lá 185.450 profissionais e visitantes, além de 20 mil chefs, de 86 países. O Brasil inclusive. O país já participou nove vezes no Bocuse d´Or, por exemplo. A última foi na edição em 2013. Além disso, Alex Atala foi o presidente do Bocuse d´Or Europa, em Bruxelas, em 2012. E Laurent Suaudeau organizou o Bocuse d´Or no Brasil, há uns 15 anos.

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— A cozinha brasileira é muito presente na cena mundial da gastronomia graças a chefs como Laurent Suaudeau, bem no começo. Depois Alex Atala, Helena Rizzo…Um dos primeiros presidentes do Bocuse d’Or Brasil foi um chef do Copacabana Palace. Na história de relações diplomáticas entre Brasil e França, Paul Bocuse foi solicitado para gerenciar a restauração do antigo hotel Méridien, no Leme. Ele decidiu enviar Laurent Suaudeau, que era um dos seus discípulos, e depois enviou o Christian Têtedoie, que era aprendiz — relembra a presidente internacional do Sirha. — Christian é muito solicitado no Brasil, como conselheiro culinário, e é o presidente do Maîtres Cuisiners de France. Talvez ele estará no brunch de lançamento do Sirha Rio à imprensa, nesta terça-feira.

Vânia lembra que o Sirha não é um evento para o grande público, é uma feira de negócios para donos de restaurantes, responsáveis por hotéis, chefs e produtores. O evento conta com competições, aulas, palestras, demonstrações e degustações em quase todos os estandes. É o lugar onde as tendências futuras das indústrias de gastronomia e hotelaria são revelados.

As trocas, os debates, a visão do futuro de nossa alimentação, em um contexto ambiental e sociológico que evolui em permanência, nos obriga a nos perguntar, a nos desafiar. Sirha Rio representará um papel essencial na cena mundial da gastronomia com seus produtos, seu savoir-faire, sua art de vivre e também com os chefs de cozinha do Brasil — avalia Marie Odile.