Chef Luiz Filipe Evvai, de São Paulo, vence etapa brasileira do Bocuse d’Or

16/03/2018 | Fonte: O Globo

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Em abril, ele irá ao México para disputar a etapa latino-americana

Luiz Filipe recebeu o prêmio em São Paulo - Renata Izaal

O Bocuse D'Or tem a fama de ser o mais importante concurso de gastronomia no mundo. Mas não é só: reúne, na final em Lyon, torcidas apaixonadas que fazem todo o tipo de barulho para incentivar os concorrentes que cozinham ao vivo. A etapa brasileira, realizada nesta sexta, em São Paulo, não fugiu ao roteiro. Tinha torcida animada, com direito à vuvuzela, e um DJ que alternava entre música eletrônica, o terceiro movimento da Nona de Beethoven e a vinheta do evento. No meio de toda essa animação, quatro chefs prepararam os dois pratos que apresentariam ao júri composto por cozinheiros renomados. Parece reality show, não deixa de ser, mas é melhor. Muito melhor. Pergunte ao vencedor.

- É uma emoção enorme, não dá para explicar mesmo. Só tenho a agradecer a minha equipe. Mas tenho que lembrar que esta foi uma etapa, agora vem o México. Nosso foco é chegar em Lyon, são três anos de investimento nisso - disse Luiz Filipe Evvai, logo após saber-se campeão.

Agora, ele vai disputar a final continental no México, em abril. Se ganhar lá, carimba o passaporte para a final, em Lyon, terra de Paul Bocuse, e onde as vuvuzelas tocam muito mais alto.

Ele vai tentar repetir o feito de Giovanna Grossi, a alagoana de 26 anos que, em 2015, foi a primeira mulher brasileira a disputar a final do Bocuse d'Or. Hoje, ela é a presidente do comitê da versão nacional do concurso.

- É nervoso mesmo, em Lyon mais ainda. Há toda a movimentação na cozinha e fora dela, o coach fica ao lado orientando e, ao mesmo tempo, tem música e torcida. É preciso estar concentrado. Quando competi, estava tão concentrada que não ouvia nada além do Laurent (Suaudeau, mentor de Giovanna) - conta ela, que ficou em 15º na final, uma colocação considerada excelente em um concurso tão difícil.

O júri que escolheu Luiz Filipe foi presidido por Helena Rizzo e era composto por Ana Luiza Trajano, Felipe Bronze, Oscar Bosh, Thierry Buffeteau, Gabriel Matteuzzi, Emmanuel Bassoleil, Rodrigo Martins, José Barratino, Dayse Paparoto e Bruno Rappel. O chef francês Daniel Boulud foi o presidente de honra do júri e veio ao Brasil com a missão de plantar a sementinha da ambição nos jovens cozinheiros nacionais. Boulud foi, ao lado de Thomas Keller, o responsável por levar os Estados Unidos ao topo do Bocuse D'Or.

- Luiz Filipe foi muito bem. Quando avaliamos o gosto, ele e o segundo colocado, Ricardo Dornelles, ficaram muito próximos. Mas, tecnicamente, ele foi o lmelhor - explicou o chef Felipe Bronze.

Luiz Filipe competiu com Ricardo Dornelles (o segundo lugar, de Porto Alegre), Danilo Nakamura (terceiro lugar, de Presidente Prudente, SP) e Marcelo Milani (quarto lugar, de São Paulo). Todos tiveram que cozinhar dois pratos em 2h30min: um peixe (salmão do Alasca) e uma carne (o porco Mangalitsa), utilizando até três acompanhamentos de livre escolha.

Luiz Filipe estagiou no Fasano, onde conhece o chef Salvatore Loi, seu mentor. Depois de uma temporada de estudos em Nova York, ele voltou ao Brasil e passou pelo Girarrosto, pelo MOzza e o Ristorantino.

O Bocuse d'Or aconteceu dentro do Sirha (Salon International de la restauration, de l'hôtellerie et de l'alimentation), a versão paulistana da gigantesca feira francesa voltada para profissionais da gastronomia e da hotelaria.