Sirha, o maior evento de gastronomia na França, fará sua estreia no Brasil

09/12/2014 | Fonte: Bruno Astuto

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Jerôme Bocuse tem o sobrenome que fazem muitos chefs tremerem só de ouvir - de emoção, é claro. Filho do lendário Paul Bocuse - há 40 anos ininterruptamente no guia Michelin, o mais famoso do ramo, com nota máxima - ele deu rasante no Rio de Janeiro para dar uma conferida na próxima cidade-sede do Sirha, maior evento de gastronomia na França que chega ao Brasil em outubro de 2015, cujo presidente `brasileiro de coração` é o francês Claude Troigros. "O Brasil é a maior economia da América Latina, sediou a Copa do Mundo com grande sucesso e está pronta para receber os Jogos Olímpicos de 2016. Nos últimos anos temos visto um progresso significativo em sua luta contra a pobreza para alcançar o desenvolvimento", diz Jerôme, admitindo conhecer apenas dois chefs brazucas. "Alex Atala, que promove ingredientes brasileiros mundo afora, e Claude Troisgros, um dos pioneiros a chegar ao Brasil no final dos anos 70. Nas últimas três décadas, Troisgros tem inspirado muitos jovens a se tornarem chefs", afirma. No encontro deste mês, Jerôme vai conhecer 100 profissionais para `pegar intimidade`. "Lembro de ter comido uma feijoada incrível há 10 anos e espero repetir a dose. Amo a picanha do Brasil temperada com sal grosso na grelha. E meu drinque predileto antes de uma refeição é a caipirinha. Ainda sou novato com ingredientes brasileiros e não sei o que poderia levar para integrar minha cozinha francesa, mas pretendo fazer grandes descobertas", diz ele.

Em 2015, ele trará o Bocuse d`Or, concurso gastronômico internacional criado pelo pai famoso em 87, que selecionará os competidores para representar seus respectivos países na seletiva continental sul-americana em 2016. "Hoje você vê um monte de reality shows nas TVs muito apreciados pelo público em geral. O Bocuse d`Or é realmente diferente. A competição é uma maneira de descobrir jovens talentos culinários para dar-lhes um reconhecimento mundial. É um evento ao vivo muitas vezes comparado a um jogo de futebol com muitos fãs torcendo por seu país. É também uma maneira de reunir chefs de todo o planeta ao longo de alguns dias para trocar experiências", afirma Jerôme, que adiciona um tempero extra quando o assunto é `gastronomia e fama`. "Há 60 anos, quando meu pai começou a carreira, os chefs eram totalmente ignorados. Inspirado por seu mentor, Fernand Point, ele foi um dos primeiros a sair da cozinha e conversar com seus clientes. O que fez a profissão viajar o mundo. Naquela época, meu pai incentivada os cozinheiros a saírem das cozinhas e se promoverem. Hoje, quando alguém pede um conselho a ele, a resposta é: volte para a cozinha. Este seria o meu conselho para um jovem chef: fique na cozinha, observe, pratique, aprenda a trabalhar tão duro quanto possível para tornar-se excelente e talvez o melhor. A fama virá depois. Vejo jovens chefs que fazem cozinha molecular que não sabem nem como cozinhar uma omelete".

Jerôme Bocuse - chef veio ao Rio participar de encontro do Sirha (Foto: Ari Kaye)Jerôme Bocuse - chef veio ao Rio participar de encontro do Sirha (Foto: Ari Kaye)